sábado, 29 de dezembro de 2012

O meu caso psquiátrico- Parte I

Começarei por fazer um breve apanhado do episódio psiquiátrico em que me vi envolvido e que quase resultou na minha morte, seja a morte física seja a morte da minha pessoa emocional, intelectual, social e profissional (passando a viver num estado vegetativo).

Tudo começou por uma série de factos da minha vida pessoal, que culminaram numa depressão galopante, acerca da qual não me apercebi. A tristeza profunda, o isolamento familiar e social, inseriram-se progressivamente no meu dia a dia, o que misturado com a agressividade de que era alvo frequentemente me fizeram começar a procurar em casa os meus refúgios, locais marcados simultaneamente por uma sensação de paz temporária e de frustração.

Esta depressão foi evoluindo e levou a que tivesse feito um surto psicótico. Mais uma vez não me apercebi, não soube interpretar os sinais e não reconheci que estava doente. A minha lógica diária alterou-se, mas para mim continuava a fazer sentido, já que continuava a ser coerente de uma certa maneira. Algumas das minhas atitudes também se alteraram, o que teve custos elevados junto dos meus colegas de profissão, junto dos meus pais, junto dos meus amigos, junto da minha filha. Cortei relações com quase todos e embarquei a plenos pulmões na minha aventura psicótica, completamente sozinho à exceção das entidades que povoavam o meu novo mundo psicótico e que eram no fundo todos os que me rodeavam (apesar de esta parte ser difícil de explicar, digamos que revesti as pessoas anónimas de uma familiaridade sobrenatural que as tornava participantes na minha missão secreta). Hoje, olhando para trás, vejo que fiz e disse muitas coisas estranhas que jamais faria e diria se estivesse compensado. Porém, e congratulo-me por isso, nunca ouvi vozes, nunca agredi ninguém fisicamente mesmo sob provocação e ameaça diretas, nunca cometi qualquer  crime, nunca fui detido.

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